4 de junho de 2011

Criaturas da Noite # 2






Hei-de então empunhar o aço
E passar meus dedos delinqüentes
Sensuais, túrgidos e vorazes
Pela fria lâmina de um punhal
Com a rigidez hiper-estática
De quem erige uma catedral


Hei-de olhar e fingir indiferença
Ao “laser” de olhares cibernéticos
Às lantejoulas, robôs de “néon”
E aos convites das bocas de cristal
Desesperado apelo de almas estéreis
Sob o véu oculto da fumaça em espiral



Hei-de pulsar no desejo mais cru
Com a emoção de “croupier” experimentado
Para empenhar o corpo num só lance
Com a altivez de um gesto casual
E exsudar a rósea gosma do pecado
Já que a pureza pode ser tão marginal



Hei-de sentir o gosto de sangue
O visco dos favos de mel
Chupado às flores sem seiva
Pra guardar um travo de sal
E ser arcanjo a fuçar nas lixeiras
Vestido com as ossadas de um jogral




Paulo Monteiro



0 comentários:

 
eXTReMe Tracker