10 de janeiro de 2011

Cartas à Mãe








Mãe, eu vi...eu fui aos Pirenéus!
Ao topo enregelado da ambição
Armado com a couraça dos mais fortes
Buscar o cetro e o louro dos espertos



Mas a prata que me deram enferruja
A adaga que carrego fere a ilharga
Há um barco que deriva sem a quilha



Tão longa é a trilha de Alexandre
Parece que findou lá pelo Indo
Dizem que pirou com os Hare-Krishnas







Mãe, eu vi.... eu fui aos Pirenéus!
Ao ninho solitário dos condores
Desnudo pelo manto dos videntes
E a certeza sempre cega de quem busca



Mas, se do charco a urze é altaneira
Lírios não vicejam nas encostas
E o ar tão rarefeito me asfixia



Quem paira só encontra a solidão
Quem desce só se aquece na ilusão
Avessos se irmanam nos extremos







Vem ver como brilha o céu da Espanha!
Sob a copa e o silêncio da oliveira
O sereno de um espelho sem imagens
Como o rio que corre e não retorna



Cada estrada termina onde inicia
Mas a chama de uma vela tem mil cores
Quem sabe seja a cor que imaginares



E possa assim cumprir-se a profecia
De um homem que quis ver o sol de noite
E um menino que ainda quer o teu regaço

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