9 de julho de 2010

A Copa dos Treinadores (Resenha de mais uma Copa)

Nunca antes em outra copa do mundo foi tão visível e notória a influência psicológica - benéfica ou, com maior freqüência, nociva - dos treinadores de futebol no desempenho das equipes por eles comandadas, e, em conseqüência, dos resultados alcançados.Numa tendência que já vinha sendo delineada em 2002 e 2006 por Luiz Felipe Scolari, no comando sucessivamente dos selecionados brasileiro (campeão na copa do Japão/Coréia) e português (quarto lugar na copa da Alemanha), os treinadores de alguns dos principais times presentes na África do Sul tomaram a seu encargo o papel de regentes e tenores de um espetáculo simultâneo e paralelo perante a mídia e os refletores, que, obviamente, sempre ávidas de sons e imagens o mais tonitruantes e fosforescentes possível, jamais lhes negaram a ribalta; no entanto, diferentemente do que ocorrera com Felipão, o relevo assumido por tais treinadores quase sempre teve um reflexo psicológico indesejável e invariavelmente catastrófico para os seus comandados.




Neste particular, quem melhor do que Diego “Mano de Diós” Maradona - um dos mais extraordinários jogadores de todas as épocas, mas a Lady Gaga de todos os técnicos, com seus badulaques, “mandingas” e encenações - para encarnar às maravilhas um certo pendor para a grandiloqüência, que por vezes descamba na ópera bufa, dos “hermanos”???? A despeito do imenso talento de alguns jogadores platinos, nem o “corintiano” Tevez, nem o maestro Verón, nem mesmo o Santo Messi puderam impedir a metódica mas impiedosa “Cavalgada das Valquírias” germânica no confronto fatal que eliminou o desigual time argentino e seu técnico de opereta.




Também, no caso do Brasil, não há como não observar o trágico paralelo entre o destempero de Dunga, seu treinador, e o absurdo descontrole que foi tomando conta de todo o escrete canarinho após o gol de empate holandês, ocorrido num lance absolutamente casual e de infortúnio, quando o Brasil ameaçava ainda destroçar o correto time “laranja”; apesar dos muitos acertos do inexperiente técnico ao longo de sua até ali muito bem-sucedida trajetória à frente do selecionado nacional, é óbvio que o seu crescente descontrole emocional – quase sempre beirando a truculência e a grosseria pura – mais do que se refletir psicologicamente nos jogadores, “contaminou” inteiramente todo o elenco, incluindo nisso até jogadores costumeiramente disciplinados e controlados. Lamentável, mas no que pese a qualidade do elenco atual da terra das tulipas, a verdade é que a nossa seleção perdeu muito mais para si própria, como conseqüência direta do descontrole emocional gestado por seu treinador; e não me venham dizer que a presença dos “novatos” Neymar e Ganso ou até a excelência do Gaúcho alterariam tal panorama: acaso alguém acredita seriamente que algum deles teria poder para contrapor-se à liderança de Dunga, em suas facetas mais nocivas???






Também não há como não ponderar que a “antipatia” e desunião mostradas pelo time francês – provavelmente o “blefe” mais anunciado desta copa –, vice-campeão em 2006, só encontram paralelo no gesto infame de seu técnico, Domenech, ao recusar perante as vistas de todo o Planeta futebolístico o elegante cumprimento do colega, Parreira, no término do confronto com os donos da casa, que selou a já aguardada eliminação dos gauleses . Justificou-se posteriormente, alegando que não se permitiria ser falso... Pois sim! Desde quando a má-educação e a grosseria podem escudar-se impunemente sob a capa da virtude????? Também neste caso, o desempenho e os resultados alcançados pela equipe refletiram e puniram a “persona” de seu treinador!

E o que dizer do Chile de Bielsa?? Só El Loco Bielsa para continuar acreditando, após as goleadas sofridas nas Eliminatórias Sul-Americanas, que poderia enfrentar o time brasileiro como um Toro Loco e destrambelhado! Deu no que deu: poucos selecionados no mundo inteiro podem permitir-se enfrentar o Brasil de igual para igual (futebolisticamente falando, claro!); e certamente o atual selecionado chileno não é um deles....loco!.... loco!....


Falar nos “galinhos” da “terrinha” faz ferver em mim o sangue lusitano! Que diferença do combativo e audacioso time das “quinas” que, sob o comando de Scolari, chegou a vice-campeão europeu e cumpriu trajetória esplêndida no Mundial passado – fez um “brilharete”, como por lá dizem – para esse time acovardado e pouco imaginativo que o treinador Carlos Queiroz nos fez o desfavor de apresentar agora; e olha que a espinha dorsal das duas seleções era quase a mesma (com a honrosa exceção do meia-armador luso-brasileiro, Deco, compulsivamente desterrado nesta edição, justamente por se rebelar contra a postura excessivamente retranqueira imprimida aos “tugas” por seu selecionador)!!!!!


Talvez não por acaso, não teríamos nós como explicação para o futebolzinho desentrosado e canhestro quase sempre apresentado pela usualmente soberba e aguerrida Inglaterra, o fato de ter à frente um treinador “estrangeiro”, e ainda por cima italiano, tão distante da fleuma e do humor britânico? Sintomaticamente os brios dos soldados da rainha só se inflamaram ao enfrentar os “primos” e rivais germânicos; mas também aí já era demais tanta apatia... e tarde demais perante o rolo compressor alemão!


Como contraponto honroso, nesse desfile de paralelos mal-sucedidos, só a imagem desolada e pungente de Marcello Lippi, técnico da “azzurra”, sempre correto e elegante, mas incapaz de evitar o surpreendente desastre que foi a “performance” dos tetra campeões europeus nesta jornada pela África
Além da já mencionada participação alemã nesta copa, destaques positivos também para as participações “raçudas” de Uruguay, Paraguay, Gana, Estados Unidos, Coréia e Japão; nunca é demais lembrar que, coincidência ou não, o desempenho de seus treinadores acompanhou o nível de futebol apresentado por cada um desses selecionados e ficará por muito tempo gravado em nossa memória, tanto o xadrez futebolístico e desempenho extra-futebolístico de Espanha e Alemanha, quanto o digno e elegante cumprimento entre os treinadores de ambas as equipes, no término do confronto que leva o país ibérico à sua primeira final de copa do mundo.A final desta Copa ainda será disputada neste próximo domingo, em duelo nunca antes encenado numa final de Mundial, entre Espanha e Holanda – que, como na poesia célebre de Leila Diniz, brigarão pelos direitos do mar ... - mas seja qual for o vencedor desse confronto, pode-se afirmar com toda a fidelidade que o sucesso dos dois times é certamente também um reflexo da postura correta, do bom-senso e do equilíbrio psicológico de seus treinadores! Afinal, para o bem ou para o mal, esta foi ou não foi a copa dos Treinadores??????E, depois disso, muitos Sóis e alguns mares e treinadores além, a História se reescreverá em 2014! Brasil 2014 !!!!!!!













Paulo Monteiro









0 comentários:

 
eXTReMe Tracker