31 de agosto de 2009

Quem ousará roubar-me os sonhos????????



Escrevi esta sentida homenagem ao cinema, parceiro de infinitas alegrias e emoções ao longo de quase um século de incondicional paixão, para complementar uma apresentação que fiz para o clube dos Discófilos Fanáticos na capital do Amazonas em 01/09/2009 e que teve como tema sonoro Trilhas Inesquecíveis do cinema!

Muito longe de considerar isso como poesia, tal homenagem é uma colagem emocionada de passagens de vários filmes e personagens que me marcaram e ficar-me-ão para sempre gravados na memória!








"Aceno para a doce Ximena cuja imagem se esvai no cimo de uma ameia da Castela medieval e adentro o Rick's Bar para mais um sonho em technicolor, perdido entre a razão e a utopia; emparelho-me com Ethan Edwards no Monument Valley, saúdo um andróide loiro e intrépido sob a chuva ácida de uma L. A. futurística e filosofo: valerá a pena viver com medo?




Pairo inerte no silêncio do oceano a submergir atado a um piano onírico e compro um ramalhete de flores de Elisa Doolittle para surfar levado pela Cavalgada das Valquírias a uma praia devastada pelo napalm e sussurrar: é o horror! é o horror! ; cruzo com Ahab a cavalgar enlouquecido a baleia branca e ofereço Excalibur a um Arthur agonizante, para o mútuo trespasse fatal com Mordred e murmuro triunfante: vem filho, abracemo-nos finalmente!




Atravesso Atlanta numa carroça em chamas, bicicleta galáctica que alça vôo com a Lua no horizonte e, com H.A.L. no comando, navego valsando pelos confins do universo e cantando My Favorite Things rodeado pelas crianças Von Trapp; subo em infindáveis dunas de areia montado num camelo com Lawrence e, sedento, sou reavivado por um caneco de água das mãos do Nazareno, antes de morrer com um sorriso inefável na expressão e a palavra mais terna nos lábios: Rosebud.




Quem ousará roubar-me esses sonhos? se a vida é um Cabaret tão profundamente entranhado a incendiar-me a jornada nos gélidos dias de agrura e monotonia e a colorir-me o plúmbeo cotidiano com um mundo de Oz muito além do meu jardim; quem ousará roubar-me tais sonhos? se em devaneios posso ser Siddhartha ou Daniel Plainview, peão audaz em imbatível xadrez com a Morte, ou apolíneo adolescente numa Veneza cercada pela peste, mas banhando-se dolente ao pôr-do-sol do Lido e exclamando : eu sou o rei do Mundo!"








1 comentários:

João disse...

É por isto que cada pessoa vê um mesmo filme de uma maneira diferente; metade é o que está no écrã, a outra metade é o que nós trazemos para a sala de cinema - as marcas de todos os filmes que nos emocionaram antes.

Parabéns pelo texto. Encontrei tantos dos meus favoritos...

 
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