6 de novembro de 2007

O coração é um caçador solitário




"Vós, que o víeis alquebrado e roto, zanzando tonto pelas ladeiras infectas e desertas, por entre risos escarninhos ciciáveis:

“Deve ser só um bosta, um zé-mané qualquer, a fuçar nos sumidouros de nossa soberba, resquícios de humana dignidade”
“Ou talvez um mentecapto obeso que se compraz em ganir para a lua, desnudo pelo manto da esquizofrenia”
“Ou será um meliante de facão em punho e hediondos intentos, contra nós a perpretar as mais vis ignomínias?”

Mas não, saibai agora o quão perfidamente o julgáveis, pois trata-se apenas de um refém do desamor e do infortúnio, que carrega no peito um coração embolorado e troncho, mas que sangra ainda quando vilipendiado, anseia por utopias e Shangri-Las perdidos e pulsa forte por um singelo afago."

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*** A poesia "O coração é um caçador solitário" foi feita antes do Natal de 2006 para acompanhar um trabalho musical, inspirado pelo livro barra-pesada de Carson McCullers de 1940 ( e pelo filme de 1968 com o grande Alan Arkin), que foi apresentado na reunião de final de ano de um clube de Discófilos Fanáticos, do qual faço parte em Manaus-AM.

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