20 de Julho de 2008

Pensamento Filosófico I

Uma pequena amostra do pensamento pessimista de Arthur Schopenhauer, filósofo prussiano do século XIX, para quem a felicidade não é senão o momento fugaz da ausência da infelicidade:

"É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificante e destituída de interesse, vista exteriormente, e como é surda e obscura sentida interiormente. Consta apenas de tormentos, aspirações impossíveis; é o andar cambaleante de um homem que sonha através das quatro épocas da vida, até à morte, com um cortejo de pensamentos triviais. Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida humana recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis"

ARTHUR SCHOPENHAUER

7 de Julho de 2008

Outros Lançamentos Maio/Junho

Martha Wainwright - "I know you're married but i've got feelings too" (Pop/Alternative Folk)

Taunus - "Harriet" (Instrumental/Icelandic/Experimental)


Rupa & The April Fishes - "Extraordinary Rendition" (Chanson/World/Cabaret)



Dave Douglas - "Moonshine" (Jazz)


Ladytron - "Velocifero" (Synth Pop)


Andy Palacio & The Garifuna Collective - "Wátina" (Caribbean Jazz)





Simone - "Simone on Simone" (Easy Listening)




Walter Trout - "The Outsider" (Guitar Blues Rock)




Scarlett Johansson - "Anywhere I Lay My Head" (Pop/Folk)



Esperanza Spalding - "Esperanza" (Vocal Jazz/Easy Listening)









25 de Junho de 2008

Shearwater - "Rook"

SHEARWATER - "Rook"
Este grupo de folk e alt/country de Austin (Texas) foi formado em 2001 por Jonathan Meiburg e Will Sheff, dois membros do Okkervil River com o intuito de dar vazão à produção mais suave e mais sofisticada do duo.
Após receberem aclamações unânimes da crítica com “Palo Santo” de 2006 (que chegou a merecer uma versão expandida em 2007), considerado um dos grandes discos desse ano, esperava-se com ansiedade e curiosidade o novo trabalho do grupo.
“Rook”, recém lançado vem reafirmar o enorme talento do grupo e é a prova cabal do amadurecimento do grupo; cada vez mais focado nos vocais pungentes de Meiburg, o disco é uma ode épica e sombria a um mundo sem a presença humana. Emoldurado por luxuosas Cordas, acopladas por harpa, trombone, tuba e com o acompanhamento de uma excelente seção rítmica, o disco desfila belíssimas composições num caleidoscópio de referências que remete ora a John Cale e Nico ora a Van Morrison e até a Joni Mitchell.
Os destaques são muitos: da abertura solene e tristissima com “On the death of the waters” , passando pela belíssima faixa-título e pela pungência de “Leviathan Bound” para desaguar na sofisticação elaboradissima de “I was a cloud” e na elegância de “The Hunter’s Star”, o disco é uma jóia a ser descoberta por todos os procuram sofisticação e bom gosto num disco para audiências adultas.
Discografia Básica


The Dissolving Room 2001
Everybody Makes Mistakes 2002
Winged Life 2004
Palo Santo 2006
Rook 2008
Ouça Aqui o Shearwater em vídeo:
Outros Lançamentos Indie Lo-Fi

Tindersticks - "The Hungry Saw"


Monroe Mustang - "The imaginary band regretfully declines"



Paper Rival - "Dialog"

Pacific UV - "Longplay 2" (Shoegaze/Lo-Fi)



Isobel Campbell & Mark Lanegan - Sunday at Devil Dirt"



Electric President - "Sleep Well" (Pop/Lo-Fi)
















24 de Junho de 2008

Paradas Maio/Junho 2008

Parada Rock & Indie

01. "Touch me, i'm going to scream" - My Morning Jacket
02. "Language City" - Wolf Parade
03. "Other cars go" - It Hugs Back
04. "Jodi" - The Dodos
05. "Undone" - Devotchka
06. "Kim & Jessie" - M83
07. "Electric City" - Firewater
08. "Beautiful Beat" - Nada Surf
09. "Rook" - Shearwater
10. "Patterns" - Tiger Lou





Parada Indie & Lo-Fi

01. "Yesterday Tomorrows" - Tindersticks
02. "Tremolo" - Pacific UV
03. "The clockwise Witness" - Devotchka
04. "The fire next time" - Bellrays
05. "We will walk through walls" - Electric Presidents
06. "Clouds" - Neva Dinova
07. "On the death of the waters" - Shearwater
08. "The Raven" - Isobel Campbell & Mark Lanegan
09. "Bluebird" - Paper Rival
10. "Universe" - Monroe Mustang

21 de Junho de 2008

Hilda Hilst

“Sobrevivi à morte sucessiva das coisas do teu quarto
Vi pela primeira vez a inútil simetria dos tapetes
E o azul diluído, azul-branco das paredes
E uma fissura de um verde anoitecido na moldura de prata
E nela o meu retrato adolescente e gasto.
E as gavetas fechadas. Dentro delas aquele todo
Silencioso e raro como um barco de asas.
Que fome de tocar-te nos papéis antigos!
Que amor se fez em mim, multiforme e calado!
Que faces infinitas eu amei para guardar teu rosto primitivo!


Desce da noite um torpor singular
Água sob o casco de um velho veleiro calcinado
Em mim o grande limbo de lamento e dor
E o medo de esquecer-te, de soltar estas âncoras
E depois florir sem ao menos guardar a tua ressonância
Abraça-me. Um quase nada de luz pousou na tua mesa
E expandiu-se na cor, como um pequeno prisma”
“Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel”
Ficcionista..... Irreverente..... Eremita..... Dramaturga..... Esotérica....e sobretudo uma portentosa Poeta, foram algumas das inúmeras e geniais “personas” assumidas por Hilda Hilst ao longo de sua luminosa permanência entre nós, brasileiros.
Nascida em Jaú, no interior de S. Paulo, , no dia 21 de abril de 1930, filha única do fazendeiro, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso, com pouco tempo de vida, seus pais se separaram, o que motivou sua mudança, com a mãe, para a cidade de Santos (SP). Seu pai, que sofria de esquizofrenia, foi internado num sanatório em Campinas (SP), tendo nessa época 35 anos de idade. Até sua morte passou longos períodos em sanatórios para doentes mentais.

“Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.”

Foi para o colégio interno, Santa Marcelina, na cidade de São Paulo, em 1937, onde estudou por oito anos. Aconselhada pela mãe, em 1948 inicia seus estudos de Direito na Faculdade do Largo do São Francisco. A partir de então levaria uma vida boêmia que se prolongou até 1963. Moça de rara beleza, Hilda comportava-se de maneira muito avançada, escandalizando a alta sociedade paulista. Despertou paixões em empresários, poetas (inclusive Vinicius de Moraes) e artistas em geral.
Em 1966 mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas. onde passa a viver com o escultor Dante Casarini, com quem se casaria 2 anos depois, por imposição materna. É lá que ela passa a dedicar-se quase integralmente à atividade literária; em sua maioria, são leituras teóricas, relacionadas à física, à filosofia e à matemática, com as quais ela procura refletir sobre questões como a imortalidade da alma, "do ponto de vista científico, não apenas metafísico", como ela dizia. Foi a preocupação com a imortalidade da alma, aliás, que a levou, na década de 70, a realizar uma série de experiências com o intuito de gravar vozes de mortos.

Hilda Hilst escreveu por quase cinqüenta anos. Passou os últimos anos de sua vida na chácara, quase uma eremita, rodeada dos inúmeros cachorros que recolhia e cuidava e, apesar de ter sido agraciada com os mais importantes prêmios literários brasileiros, nunca teve um reconhecimento público à altura de sua genialidade.

Faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).

"...e tudo é tão redondo e completo na hora da morte, pois aí sim é que estás completamente acabado, inteirinho tu mesmo, nítido nítido, preciso, exato como um magnífico teorema..."

2 de Junho de 2008

Frightened Rabbit - "The Midnight Organ Fight"



Frightened Rabbit - "The Midnight Organ Fight"

Frightened Rabbit são um quarteto indie escocês formado em 2004, basicamente pelos irmãos Grant (na bateria) e Scott Hutchison (na guitarra e vocais) e mais um guitarrista e um tecladista completando o grupo. Após um início auspicioso com “Sings The Greys” de 2006, eles têm tudo para despontar para o estrelato em escala mundial com o recente “The Midnight Organ Fight”, inteiramente concluído em 2007, mas lançado apenas em Abril deste ano, e que vem coroar um bem sucedido “tour” por todo o território estadunidense.
O som deles parece uma mistura híbrida da sonoridade dos The Who e do Jesus & The Mary Chain, sempre energético e pulsante, embora com letras quase sempre sombrias ou melancólicas – o que não chega a ser exatamente uma novidade no cenário Indie atual – que quase sempre remetem ao frustrante desenlace de um longo relacionamento do líder Scott; o disco já abre em altíssima voltagem com “The Modern Leper”, um dos indiscutíveis “highlights” logo sucedido por “Fast Blood”, o single de combate do disco e várias outros petardos musicais, como “Feel Better” e “Floating in the Forth” , onde sucessivas muralhas e riffs de guitarra fazem o acompanhamento perfeito para os vocais urgentes e lamentosos de Scott Hutchison; sobra espaço para momentos mais “realx”, como em “The Poke” e em “Head Rolls Off”, duas baladaças que certamente irão seduzir os corações mais atormentados, e até para o Folk acústico de “
Who’d you kill now” que encerra o disco em grande estilo.

Discografia do Grupo :


Sing the Greys - (2006)

The Midnight Organ Fight - (2008)

Links para o grupo :

www.fat-cat.co.uk/fatcat/artistInfo.php?id

www.myspace.com/frightenedrabbit

Ouça aqui "Head Rolls Off" com o Frightened Rabbit:

http://fr.youtube.com/watch?v=nBcbDS5AGnk

Outros Lançamentos Indie & Rock




Tokyo Police club - "Elephant Shell" (Indie)




Throw me the Statue - "Moonbeams" (Indie)







The Long Blondes - "Couples" (Indie)






The Breeders - "Mountain Battles" (Indie)





Neva Dinova - "You may already be dreaming" (Indie)





Ladyhawk - "Shots" (Indie)





French Kicks - "Swimming" (Indie)



Firewater - "Golden Hour" (Indie)





Does it offend you yeah? - "You have no idea what you're getting yourself into" (Indie/Dance)











16 de Maio de 2008

"Silk" - Seda

Adaptado do best-seller do mesmo nome de Alessandro Baricco, “Silk” (Paixão Proibida....mais um título apenas apelativo que de certa forma desvirtua o real significado do filme) é uma produção canadense, dirigida por François Girard e que chega agora às telas tupis sem grandes alardes.

Conta-se a história do ex-soldado francês Hervé Joncour (Michael Pitt, de "Dawson's Creek"), que após um casamento de amor com a sensível e dedicada Helène (Keira Knightley) inicia uma carreira extremamente bem-sucedida de mercador de seda nos fins do século XIX, fato que o leva a longas empreitadas na África e posteriormente a remotos rincões do Japão, onde inicia negociações com o barão feudal Hara Jubei (Koji Yakusho). Lá ele se deixa seduzir pelo exotismo e sensualidade da belíssima concubina do altivo chefe feudal. Num crescendo de obsessão e desejo, a fantasia de Joncour tornada impossível pela dificuldade de comunicação lingüística e pelo regime de semi-cativeiro em que a concubina é mantida, começa a prejudicar os negócios do mercador e a interferir no seu relacionamento com Helène.
Embora foque a história de Hervé, e secundariamente sua paixão proibida no Japão, “Silk” é na essência um panegírico à real delicadeza (silk/seda) e espiritualidade de Helène, em contraponto à idealizada sensualidade e beleza da gueixa asiática, como se verá no decorrer do filme; e é esse jogo de espelhos e de sutis revelações que enriquece o conteúdo do enredo conduzindo-o a um final surpreendentemente reflexivo e dramático.
O elenco com destaque para Keira Knightley (que já se especializou nesse tipo de papéis) e o ótimo Alfred Molina, no papel do empreendedor que idealiza toda a empreitada comercial de Hervé, não compromete o resultado final, mas os grandes destaques vão para a deslumbrante fotografia e os figurinos de época e, sobretudo, para a pungente e interiorizada trilha sonora do genial Ryuichi Sakamoto, que pontua e dá o tom aos momentos de maior beleza plástica e de mais marcante dramaticidade desta película que não deve deixar de ser vista por aqueles que buscam uma história arrebatadora, em produção caprichada e de extraordinário requinte visual e auditivo que faz inteira justiça ao nome "Silk".

30 de Abril de 2008

Sun Kil Moon - "April"



Sun Kil Moon - "April"

Terceiro trabalho da banda de San Francisco, o disco é mais um belíssimo tributo ao dream pop e ao sadcore. O responsável pela façanha é o músico mil-e-uma utilidades Mark Kozelek – além de ex-líder do incrível Red House Painters e de levar uma carreira solo, o cara já atuou em diversos filmes: Garota da Vitrine (2005), Vanilla Sky (2001) e Quase Famosos (2000), no qual interpreta Larry Fellows, baixista do Stillwater, a banda fictícia da trama. Aqui ele tem o acompanhamento de Tim Mooney na guitarra, Anthony Koutsos na bateria e Geoff Stanfield no baixo.
Além de marcar uma um retorno às faixas longas e intensas (”Tonight The Sky”, “Tonight In Bilbao” e “Lost Verses” têm uma média de dez minutos), como as de Ghosts of the Great Highway (2003), primeiro disco da banda, April é tudo aquilo que se espera de um trabalho de Kozelek: arranjos delicados (”Moorestown”), faixas quase acústicas (”Harper Road”), canções tristemente atmosféricas (”Heron Blue”), pitadas de folk e country, letras poéticas e sensíveis e um dos vocais mais bonitos do rock atual (Kozelek é muito comparado a Neil Young). April ainda conta com a partipação de Will Oldham em “Unlit Hallway” e “Like the River”, além da presença de Ben Gibbard (Death Cab for Cutie), que reforçam os vocais e dão ainda mais sentimento ao disco. Imperdível para quem é fã de Simon & Garfunkel e do melhor folk.


Mark Kozelek
Links para este artista

www.sunkilmoon.com/

en.wikipedia.org/wiki/Sun_Kil_Moon

www.last.fm/music/Sun+Kil+Moon
Discografia
Ouça aqui “Carry me, Ohio” com o Sun Kil Moon

http://fr.youtube.com/watch?v=AKRA7weVyLs
Outros Lançamentos Indie Lo-Fi


Silje Nes - "Ame's Room" (Indie-Lo-Fi/Trip-Hop)



IDA - "Lover's Prayers" (Indie Lo-Fi)




Samamidon - "All is Well" (Indie/Folk/Lo-Fi)





The Most Serene Republic - "Population" (Indie Lo-Fi)






Death Cab For Cutie - "Narrow Stairs" (Indie Lo-Fi)







27 de Abril de 2008

Paradas Musicais Março/Abril 2008

Rock & Indie

01. "Real Emotional Trash" - Stephen Malkmus & The Jigs
02. "Your twin-sized bed" - Death Cab For Cutie
03. "Centennial" - Tokyo Police Club
04. "No Lucifer" - British Sea Power
05. "International bullet proof talent" - Bauhaus
06. "All Misery/Flowers" - The Gutter Twins
07. "Alison" - Minor Minority
08. "Night of Joy" - The Breeders
09. "I don't always know what you're saying" - Ladyhawk
10. "My Shadow" - Jay Reatard



Indie & Lo-Fi

01. "Love me lika a river does" - Melody Gardot
02. "Kin" - Valgeir Sigurdsson
03. "Islands in the streams" - Constantines + Feist
04. "Lover's prayers" - Ida
05. "The Dreamer" - José James
06. "Blue" - Cat Power
07. "Lucky Man" - Sun Kil Moon
08. "Scubby" - Little Wings
09. "Morning Shadows" - Cass McCombs
10. "Saro" - Samamidon

18 de Abril de 2008

Outros lançamentos Março/Abril 2008

Anne Ducros - "Urban Tribe" (Vocal Jazz/Easy Listening)



Aurea Martins - "Até Sangrar" (MPB)







Tied + Tickled Trio - "Aelita" (Electronica/Avant-Garde)




Steve Reid Ensemble - "Daxaar" (Jazz Fusion/World Music)




Ryan Bingham - "Mescalito" (Country/Folk/Americana)




Nick Moss - "Play it till tomorrow" (Chicago Blues)



Melody Gardot - "Worrisome Heart" (Contemporay Folk/Blues)



Marco Benevento - "Invisible Baby" (Instrumental/Post Jazz/Fusion)



Lurrie Bell - "Let's talk about love" (Fusion/Chicago Blues & Jazz))


David Buchbinder - "Odessa/Havana" (Instrumental/Latin Jazz)


Chromatics - "Night Drive" (Pop Dance/Eurodisco)












6 de Abril de 2008

Os 10 CD's Rock/Pop que eu levaria para uma ilha deserta

Neil Young - "After the goldrush" (1970)
... Se tivesse que levar apenas 1 disco, a escolha seria essa

The Smiths - "The queen is dead" (1986)
... Morrissey no auge...precisa dizer mais?


The Montgolfier Brothers - "Seventeen Stars" (2000)
... Numa ilha deserta você quer olhar para as estrelas e sonhar que está ...... numa ilha deserta!


The Beatles - "The White album" (1968)
... Beatles em dose dupla e no apogeu....irrecusável!



The Rolling Stones - "Sticky Fingers" (1971)
... A obra-prima de Jagger & Cia.


Radiohead - "Kid A" (2000)
... A genialidade abre as janelas para o século XXI


Nick Drake - "A Way To Blue" (1994)
... Compilação introdutória ao mundo dolorido de um gênio!


Led Zeppelin - "Houses of the Holy" (1973)
.... O meu favorito do Zep...já que preciso escolher apenas um.... democracia é isso!



Cat Stevens - "Tea for the Tillerman" (1970)
.... O disco-ícone de toda uma geração...impossível fugir a ele!

Bee Gees - "Horizontal" (1968)
... Não seria uma lista minha se não tivesse este disco!

3 de Abril de 2008

The Gutter Twins - "Saturnalia"







The Gutter Twins - "Saturnalia"





Mais do que propriamente um grupo de rock regularmente constituído, The Gutter Twins marca a consolidação da cooperação musical entre Mark Lanegan e Greg Dulli, ambos figuras de proa, com milhares de admiradores no cenário indie, à frente de grupos cultuadissimos como Screaming Trees e Queens of Stone Age (o primeiro) e de Afghan Whigs e Twilight Singers (Dulli), ou com uma celebradissima e profícua carreira solo, como é o caso de Lanegan – um dos pioneiros da cena “grunge” de Seattle, parceiro de Kurt Cobain -, e vem coroar o flerte musical entre ambos reinante desde 2003, quando Lanegan abrilhantou o álbum de estréia dos Twilight Singers e, em contrapartida, Dulli dá as caras em “Bubblegum”, o álbum de 2004 de Mark Lanegan, chegando inclusive a excursionar com ele, como pianista do grupo; é o encontro sacramentado de dois egos poderosos que se complementam e se justapõem com uma precisão energética que explode em todos os acordes de “Saturnalia”, o registro desse encontro incendiário, lançado apenas agora em Março de 2008, pois ambos sempre tiveram suas agendas sobrecarregadas junto a seus respectivos grupos, ou em carreira solo e em colaborações festejadas com os Soulsavers e com Isobel Campbell, do Belle & Sebastian.
Mark Lanegan

“Saturnalia” abre em “The Stations” com a voz roufenha e soturna de Lanegan dando o mote para as histórias encharcadas de fumaça e uísque que caracterizam os seus trabalhos; é a introdução perfeita que desemboca na arrebatadora “God’s Children”, o provável grande destaque do disco. A sonoridade é quase sempre suja e pesada com traços bluesísticos e guitarras distorcidas fazendo contraponto aos vocais guturais e às letras depressivas características da dupla, como em “All Misery/Flowers”, cujo background vocal em eco e andamento rítmico quase mântrico lembram satânicas preces. Mas existem também momentos mais low profile, como em “The Body” e na balada “Each to Each”, ou no folk de “Front Street” que encerra este magnífico lançamento que irá agradar em cheio a todos os fãs da dupla.
Lanegan e Dulli apresentaram-se com muito sucesso, juntamente com a banda de apoio que inclui Mathias Schneeberger - um terceiro membro não-oficial - no show de David Letterman agora em Março. Tudo indica que haverá uma merecida consagração....


Discografia Básica de Mark Lanegan





Com os Screaming Trees



Discografia Básica de Greg Dulli

The Twilight Singers
Blackberry Belle (2003)
She Loves You (2004)
A Stitch In Time (EP/2006)
Powder Burns (2006)

The Afghan Whigs

1993
Gentlemen (Elektra Records)
1996
Black Love (Elektra Records)
1998
1965 (Columbia Records)
2007
Unbreakable (A Retrospective) (Rhino/Wea)






Ouça aqui o vídeo de "All Misery/Flowers" com os Gutter Twins



http://www.pitchforkmedia.com/article/download/49525-the-gutter-twins-all-miseryflowers






Outros Lançamentos Rock & Indie Março 2008


The Black Crowes - "Warpaint" (Rock/Indie)




Steve Jansen - "Slope" (Indie/Progressive/Avant-Garde)





The Grand Archives - "Grand Archives" (Indie/Alt Country)





British Sea Power - "Do you like rock music?" (Rock/Indie)





Sea Wolf - "Leaves in the river" (Indie)



Sons & Daughters -"This Gift" (Indie)









17 de Março de 2008

Manifesto da Nossa Bela Alma




Quando li o magnífico artigo do jornalista Reinaldo Azevedo intitulado “Antropologia da Maldade”, que foi publicado na revista Veja, edição de 05/12/2007, no qual é feita uma crítica extremamente lúcida à deturpada inversão de valores que leva alguns segmentos de nossa sociedade (e, o que é mais preocupante, parte dos segmentos mais intelectualizados dela, como aponta o autor) a endeusarem a cultura proveniente dos morros e favelas nas nossas maiores urbes, não pude deixar de fazer uma analogia com o que ocorre também no campo da MPB, onde essa pérfida inversão se tem manifestado de forma cada vez mais veloz e avassaladora no decorrer dos últimos anos, popularizando com exclusividade músicas oportunistas e de baixa extração e relegando ao esquecimento ou ao descaso o imenso legado da nossa excelente Música Popular e os artistas que ainda ousam divulgá-la.
De fato, pouquíssimos países podem orgulhar-se de uma riqueza e diversidade musical tão expressiva quanto o Brasil, e, foi na defesa pela conservação e enriquecimento de tal herança que me inspirei para escrever o :
/////////////Manifesto da nossa bela alma \\\\\\\\\\\


Já houve tempos em que nossas casas ostentavam singelas janelas abertas, portas sem gradeados e os risos juvenis de nossos filhos ecoavam pelos mesmos parques e alamedas, onde hoje só trafegam o medo e o abandono !
Já houve tempos em que nossas mães e nossas mulheres eram decantadas com respeito e romantismo e não aviltadas pela vulgaridade e deboche das músicas que hoje nos envenenam o lazer e nos embotam os sentidos !
Já houve tempos em que nossas lixeiras não exalavam o olor pútrido da ganância e da corrupção endêmicas, que hoje escancaramos despudoradamente a céu aberto e nos transforma em alvos do escárnio generalizado !
Já houve tempos em que não incentivávamos a cultura de manifestações culturais de baixa extração, nem subsidiávamos o tráfico e a conseqüente barbárie da violência com nossos vícios inconseqüentes e criminosos !
Já é mais do que tempo de resgatarmos a cidadania e a humanidade que se escondem pusilânimes e envergonhadas pela omissão de nossos protestos, pela negligência com nossas obrigações e pela transigência com a ignorância e a vilania, entoando com ufanismo as pérolas do nosso cancioneiro e divulgando o rico legado musical que faz parte da nossa bela alma !
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P.S.: Este Manifesto, à semelhança daquilo que foi feito por Eliete Negreiros em seu CD "A Nossa Bela Alma" de 1992, foi feito para ser apresentado como complementação a um trabalho de resgate musical da nossa MPB, que apresentei na reunião dos Discófilos Fanáticos em 25/03/08.

10 de Março de 2008

Lost Stewart e o aniversário da Vida

O gato "cafajeste" que faz pose logo aí abaixo ganhou o primeiro nome porque era "menino de rua" mesmo....nada a ver com o seriado homônimo...risos....risos














Quer uma fatia do meu bolo??????


5 de Março de 2008

Cat Power - "Jukebox"


Cat Power - "Jukebox"

Quer saber porque é que a cantora, pianista e poeta americana nascida em Atlanta (Geórgia) em 1972 com o nome de Charlyn (“Chan”) Marshall se tornou mundialmente conhecida como uma das musas do “American Folk Revival” - junto a nomes como Joanna Newson, Bonnie “Prince” Billy e Jeff Tweedy – com o nome de Cat Power?
A versão oficial é que Chan tirou esse nome de um dístico que viu num carro, onde estava escrito “Cat Diesel Power”, para designar o duo de piano e bateria com que iniciou sua carreira musical, em Nova Iorque no início dos anos 90; mas basta conferir o que ela “aprontou” com New York, New York – essa mesmo que você está pensando, na versão famosa de Frank Sinatra, ou Liza Minelli, que estimulou nossos “coroas” a assumir galhardamente a “porção” Fred Astaire & Ginger Rogers deles, nos salões de baile da nossa infância –, na faixa de abertura de “Jukebox”, para se certificar que a “gata” de fato é PODEROSA...

Chan e a Dirty Delta Blues

Chan Marshall ganhou notoriedade em 1996, após o lançamento de seu terceiro disco, “ What Would the Community Think?”, pela Matador Records – sua gravadora até aos dias de hoje – mas, apesar disso, decidiu isolar-se do mundo e da música, pescando, pintando e cozinhando em uma fazenda no interior dos Estados Unidos junto com seu namorado Bill Callahan do Smog de onde só retornou triunfalmente em 1998, com o lançamento do magistral “Moon Pix”, considerado pela crítica um dos melhores discos da década. Em 2000 lança “The Covers Record”, seu primeiro disco de regravações, onde se debruça sobre o universo musical dos Stones (“Satisfaction”), de Dylan (“Paths of Glory”) e do Velvet Underground (“I found the reason”), entre outros, seguido em 2003 por “You Are Free”, com a colaboração de Eddie Vedder e de Dave Grohl, entre outros, e em 2006 por “The Greatest”, dois discaços unanimemente aclamados pela crítica especializada e pelo universo indie.
O cara de cabelos brancos, por motivos óbvios, recusou-se a excursionar com Chan e o restante do grupo...risos..risos....

Agora ela nos chega c