16 de janeiro de 2012

As 5 Músicas mais espetaculares da história do Rock


1. Beatles : “ A day in the life”

http://www.youtube.com/watch?v=P-Q9D4dcYng










2. Led Zeppelin : “Stairway to heaven”

http://www.youtube.com/watch?v=lKg4g9zMeHI









3. Pink Floyd : “Another brick in the wall part 2”

http://www.youtube.com/watch?v=5aLs1hFp7r4









4. Bob Dylan : “Like a rolling stone”

http://www.youtube.com/watch?v=g1s47L8DrJ0










5. Rolling Stones : “I can’t get no (Satisfaction)”

http://www.youtube.com/watch?v=g1s47L8DrJ0

31 de dezembro de 2011

ELEGÂNCIA - Feliz 2012









Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a
estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens...

Abrir a porta para alguém é muito elegante...

Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante...

Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...

Oferecer ajuda... é muito elegante...

Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social:

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

Henri de Toulose-Lautrec
(adaptado)

27 de dezembro de 2011

Os Discos do Ano















Joe Henry - "Reverie"



Disco de Dezembro e Disco do Ano

Um de meus ídolos maiores, o norte-americano da Carolina do Norte, Joseph Lee “Joe” Henry, cantor, compositor, pianista, guitarrista e produtor musical, está entre aqueles que já fizeram por merecer o epíteto de Gênio musical, que certamente não deve ser aposto levianamente ao nome de muitos na área da Música Popular e, no meu entender, está no mesmo patamar de um Randy Newman e de um Tom Waits; com uma vasta discografia, que inclusive já mereceu neste blog uma resenha como Disco do Mês, quando do lançamento de seu penúltimo disco, “Blood from Stars” de 2009, Joe acabou de lançar mais um disco que, com todos os méritos, quase no fechar das cortinas musicais do calendário anual, tirou da boca de Thurston Moore e seu “DemolishedThoughts”, que tanto me siderou a cabeça nos últimos meses, o prêmio de Melhor Disco do Ano que ora finda.
Pois é!...desta vez o cunhado de Madonna conseguiu superar-se e lançou um disco, apropriadamente chamado de “Reverie”, que é realmente uma viagem de sonhos de cabo a rabo e, mais uma vez no meu entender, atinge- ou até mesmo supera - o nível exponencial da obra-prima dele, “Scar” de 2001 (esse mesmo que traz na abertura o petardo “Richard Pryor adresses a tearful nation” com “aquela” canja espetacular de Ornette Coleman). Com um disco totalmente acústico, em que o tratamento primoroso e inegavelmente jazzístico dado a cada uma das músicas permeia todo o álbum e é mais uma vez o grande destaque, Joe Henry coloca sua voz fanhosa e personalíssima (que em algumas músicas me fez lembrar Leon Russell) a serviço de lindíssimas canções em estilos que privilegiam o “blues” e o “folk”; dificílimo achar destaques, já que honestamente todo o disco é extraordinário e a escolha de melhores músicas irá depender, e muito, do gosto pessoal de cada um, mas é quase impossível não mencionara entrada triunfal com “Heaven`s Escape”, o libelo anti-belicista de “After the War”, o petardo blueseiro de “Strung”, a delicadeza reflexiva de “Tomorrow is October” e de “Piano Furnace” ou a linda balada “Eyes out for you” .
Realmente um disco de “Reverie”pra encerrar em grande este ano e que merece pelo menos umas 10 execuções apaixonadas!!!


Veja aqui o vídeo de “ Heaven’s Escape” com Joe Henry:



Os outros 11 Discos TOP do Calendário do Musical deste ano:

A Winged Victory for the Sullen –“A Winged Victory for the Sullen”

St. Vincent - “Strange Mercy”


John Maus - “Believer”


The Black Keys - “El Camino”


Thurston Moore - “Demolished Thoughts”


Cults - “Cults”


Wild Beasts - “Smother”


Amor de Dias - “Street of the love of days”


TV on the radio - “Nine types of light”


Raveonettes - “Raven in the grave”


Radiohead - “The King of Limbs”


29 de novembro de 2011

Class Actress - "Rapprocher"













Class Actress - "Rapprocher"

O criativo encontro musical da americana de L.A., Elizabeth Harper, com seu Psicanalista – e músico nas horas vagas...heheheheheh – Mark Richardson já tinha rendido um EP bastante bem recebido pela mídia em 2010 e que re"sultou num bem sucedido tour pelos Estados Unidos em 2010; este ano eles finalmente concretizaram o projeto de um cd completo, este “Rapprocher” (palavra francesa que significa “chegar perto”), que chegou em boa hora para anunciar a época festiva que se avizinha.

Dançante, sensual e ultra-fashion, este trabalho da dupla vem merecendo os maiores elogios da crítica especializada que compara o som deles a um possível encontro entre a Madonna dos primeiros anos e o som do Depeche Mode. Com ênfase nos sintetizadores e nas (digamos assim, numa tradução bem livre) baterias eletrônicas – “drum machines”- espelhando a influência do saudoso Human League dos anos 80 e produzidas com extremo bom gosto por Mark Richardson, o disco desfila uma trilha “dance”romântica para as dores de amor de Elizabeth Harper que, com sua voz sensual e extrema competência, faz o complemento perfeito para as pistas mais antenadas deste final de 2011; o hit “Keep you” e as divertidas “Limousine”, “Need to know”,e“Bienvenue” com uma levada moderna, quase “shoegaze”,são os maiores destaques deste disco “sparkling”, leve e de altíssimo astral, perfeito para terminar o ano em grande!!!!!


Veja aqui o video de “Limousine” com Class Actress

http://www.youtube.com/watch?v=Wp1tMJ8EmmQ

Links para este artista

www.classactress.com

www.myspace.com/elizabethharper

Outros Lançamentos de Destaque em Novembro 2011

Cymbals Eat Guitars "Lenses Aliens" Atlas Sound "Parallax" Joe Henry "Reverie" Peter Murphy "The secret bees of ninth EP" Real Estate "Days" Ane Brun "It starts with one" Childish Gambino "Camp" Pure X "Pleasure" The Duke Spirit "Bruiser" Future Islands "On the water












Parada de Novembro 2011 - (Top 10 November 2011)

01. "Strung" - Joe Henry

02. "Secret"- Peter Murphy
03. "Keep you"- Class Actress
04. "Fire Fly "- Childish Gambino
05. "Easy" - Real Estate
06. "Before the bridge" - Future Islands
07. "These days" - Ane Brun
08. ""Rifle eyesight (Proper name)" - Cymbals Eat Guitars
09. "Surrender" - Duke Spirit
10. "Terrible day" - A Classic Education

Veja aqui o vídeo de "Keep you" com Class Actress


Paulo Monteiro

15 de novembro de 2011

Papai Noel Cult 2011

Para você que quer fugir dos manjados lançamentos de final de ano que pipocam nesta época, segue abaixo a indicação de alguns discos espetaculares que têm tudo para agradar aos paladares musicais mais exigentes:





Stacey Kent – “Dreamer in Concert”

Esta sensacional cantora de jazz americana, culta e antenada -graduada em Literatura Comparada - e na estrada desde 1997, há muito já merece estar no panteão reservado às grandes divas, não só pela extensa e impecável discografia e escolha de repertório, que inclui vários discos premiados internacionalmente e uma indicação ao Grammy pelo álbum “Breakfast on the morning tram”, mas também pela suave e personalíssima voz que imprime a cada canção uma personalidade bem distintiva; isso, aliado ao fato de cantar fluentemente em francês e.... em português (é apaixonada pela música brasileira e conta no currículo com um álbum só de música brasileira, “Brazilian Sketches” de 2011, em parceria com o marido, o saxofonista e produtor Jim Tomlison)) contribuiu para que Stacey fosse a única artista internacional a participar recentemente do show comemorativo dos 80 anos do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. “Dreamer in Concert” que é a versão ao vivo do disco “Dreamer” (nome em inglês da brasileiríssima “Vivo Sonhando”do genial Tom Jobim), faz um delicioso retrospecto de sua carreira e privilegia não só grandes “standards”do cancioneiro americano, como “It might as well be Spring” de Rodgers & Hammerstein e “They can’t take that away from me” dos irmãos Gershwin, como hits em francês e – naturalmente – em português do Brasil e até de Portugal mesmo, como a versão para a músca “O comboio” do compositor luso António Ladeira. Caso ainda não conheça Stacey Kent, esta é a oportunidade perfeita!!!

http://www.youtube.com/watch?v=b2o9iro4eLU










Bill Frisell – Vinicius Cantuária : “Lágrimas Mexicanas”

Nesta parceria mais do que improvável, o excepcional guitarrista e compositor americano divide o estrelato com meu conterrâneo manauara, o também guitarrista e percussionista Vinicius Cantuária, radicado no Brooklyn nova-iorquino desde a década de 90, nesta pérola musical, lamentavelmente pouco divulgada no nosso país, em que delicadas composições instrumentais por vezes recebem o cativante apoio vocal de Cantuária, seja em português, inglês ou espanhol. O estilo vai dos ranchos mexicanos, ao jazz, ao quase funk da música inicial e à bossa, todos com arranjos contemporâneos, como não poderia deixar de ser...sobra até espaço para o chorinho de “Aquela Mulher”, com reminiscências do grande Paulinho da Viola, até nos vocais. Um disco a ser largamente apreciado por todos aqueles que curtem a MELHOR MPB!!!!! Pois é...acredite se quiser: ela ainda sobrevive!!!!

http://www.youtube.com/watch?v=Ni_uKS1Ydd8








Afrocubism – “Afrocubism”

Quase 15 anos após a tentativa inicial gorada, mas que em contrapartida gerou o disco de maior sucesso da World Music, o Buena Vista Social Club, o projeto de juntar expoentes da música cubana e africana gerou finalmente frutos: o Afrocubism!!!

E que frutos!!!!! Contando com expoentes da música dos 2 continentes, como Eliades Ochoa & o Quarteto Pátria, Bassekou Kouyaté e o clã do mestre da kora, Toumani Diabaté, esse mesmo que tem no currículo parcerias memoráveis com Damon Albarn do Blur, Bjork e Salif Keita, esse é realmente o trabalho que promove a aproximação entre a Mãe África e a música cubana, uma de suas mais notáveis herdeiras. Vibrante, exótico extremamente bem produzido é tudo aquilo que você pode esperar de um trabalho dessa estirpe.

http://www.youtube.com/watch?v=OjUgmTuisnU











Tinariwen - “Tassili”

Tinariwen (significa “desertos””), mais do que propriamente um grupo musical é uma formação musical de vários músicos tuaregues – nômades itinerantes – do deserto do Sahara, no Norte do Mali, país internacionalmente reconhecido pela qualidade musical de seus músicos (Salif Keita, Habib Koité, Ali Farka Touré, etc...), que prima pela autenticidade e qualidade do que apresenta, o que lhes grangeou a admiração de vários superstars da música ocidental, como Robert Plant, Thom Yorke, The Edge e Brian Eno e apresentação nos principais palcos de música do mundo; neste, que é o quinto trabalho dessa inusitada formação artística, eles desfilam o repertório tradicional de canções berberes no estilo conhecido como “assouf” e contam com alguns convidados especiais, como Neels Cline do Wilco, Tunde Adebimpe e Kip Malone do TV on The Radio e dos membros da Dirty Dozen Brass Band, cada um deles numa faixa específica. Um trabalho que precisa também ser reconhecido no Brasil!

http://www.youtube.com/watch?v=iorfsFAJJsI
















Resenha crítica já feita neste blog….acesse o link :


Veja o vídeo com A Winged Victory for the Sullen :



2 de novembro de 2011

Edgar Allan Poe - (1809 -1849) "O Corvo"










Mais conhecido por ser um dos escritores pioneiros da Literatura Policial e precursor juntamente com Júlio Verne da Ficção Científica e Fantástica, o americano Edgar Allan Poe (1809-1849) foi também romancista, crítico literário e poeta, durante sua curta passagem por esse plano terrestre.
De temperamento boêmio e instável e com severo histórico de dependência alcoólica, sua literatura gótica e mórbida, reflete quase sempre os aspectos mais sombrios de sua personalidade, inclusive em seu portentoso poema mais famoso, “The Raven” (O Corvo), que transcrevo abaixo :

O CORVO

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: "Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro coa alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o corvo disse: "Nunca mais!"

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais".

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o corvo disse: "Nunca mais".

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o corvo disse: "Nunca mais."

“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o corvo disse: "Nunca mais".

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

Tradução : Machado de Assis


Postado por Paulo Monteiro

28 de outubro de 2011

A Winged Victory for the Sullen - "A Winged victory for the Sullen"














A WINGED VICTORY FOR THE SULLEN - "A Winged Victory for the Sullen"

Embora não possa ser catalogado precisamente no gênero pop/rock, e, sem dúvida com profundas afinidades e ambições no clássico, este extraordinário lançamento resultante da colaboração entre Adam Wiltzie, que já fez parte do Sparklehorse e hoje é membro do grupo de “post-rock” Stars of The Lid, e Dustin O’Halloran, membro do grupo Pop angeleno Devics, e ocasional compositor de Trilhas sonoras - responsável por exemplo pela trilha de “Maria Antonieta” de Sofia Coppola - ainda cabe na rotulação Indie, pela origem de seus membros e – vá lá!... – pelo estilo musical desenvolvido, que mistura em doses equânimes o clássico, o post-rock e a musica ambiente, com ênfase no piano ambicioso de O’Halloran, presente em todas as faixas. E que piano!... Inspirado nos trabalhos soberbos de Arvo Pärt, Olivier Messiaen, Gavin Bryars, Harold Budd e Philip Glass, é um trabalho pungente, tocante e evocativo que destila doses maciças de melancolia e elevação a cada nota, e nos transporta a uma dimensão superior dos sentidos.

Para tal colaboram grandemente a gravação adequadamente efetuada na vastidão imponente da Catedral de Grunewald em Berlim e o acompanhamento de um Quarteto de Cordas composto entre outros pelo celista islandês Hildur Gudnadottir – habitual colaborador do grupo islandês MUM e de Johánn Johánnsson – e por Peter Broderick no violino. São apenas 7 músicas – talvez o único senão que apontaria no disco, pois ao final dessa audição, que equivale a mergulhar seu coração num pote de mel e açucenas, você certamente lamentará o fato de não se tratar de um disco duplo – todas conduzidas magistralmente pelo piano onírico de O’ Halloran e com títulos sugestivos e formais, das quais destacaria a introdução reflexiva de “We played some open chords” , a espetacular ode em 2 partes intitulada “Requiem for the estatic king” dedicada a Mark Linkous, líder do Sparklehorse e falecido em 2010 – que homenagem hein cara!...wow - , a minimalista e sinfônica “ A symphony patethique” e o final cinematográfico de “All farewell are suddens”!!! Com certeza: bem súbitos, pelo menos para o meu gosto!

Um disco extraordinário para horas muito especiais e para corações e mentes sensíveis, no qual você poderá ganhar asas com orgasmos múltiplos de sinestesia, imaginando emoções, atos e até histórias completas, pela imersão sonora no seu universo mágico, sobretudo se puder ter o privilégio de escutá-lo em sistemas de reprodução e headphones de altíssima qualidade!!!

Num trocadilho um tanto ou quanto infame com o sugestivo nome do grupo, essa seria uma Vitória alada da sensibilidade e da sutileza ....vai ver que o nome disso é Sullen!!!


Links para este artista

www.facebook.com/awvfts


Veja aqui o video de “We played some open chords” com The Winged Victory for the Sullen

http://www.youtube.com/watch?v=0dxS35gCbf0


Outros Lancamentos de Destaque em Outubro 2011 (Oher Hot New Releases October 2011)


Wilco - "The Whole love" Ivy - "All Hours" Pallers - "Sea of Memories" Gem Club - "Breakers" FEIST - "Metals" Chickenfoot - "III" The Field - "Looping State of Mind" Cave - "Neverendless" Lights - "Siberia" Sin Fang Bous - "Summer Echoes"



Parada de Outubro 2011 (Top 10 October 2011)

01. "Requiem for the static king part 2" - A Winged Victory for the Sullen

02. "An argument with myself" - Jens Lekman
03. "Humdrum" - Pallers
04. "Bruises" - Sin Fang Bous
05. " The bad in each other" - Feist
06. "Dubai Blues" - Chickenfoot
07. "Hazel" - Weekend
08. "Toes" - Lights
09. "I might" - Wilco
10. "Distant lights" - Ivy

Veja aqui o video de "Requiem for the static king part 2" com A Winged Victory for the Sullen



Paulo Monteiro

14 de outubro de 2011

Clapton is God















Desde seu ingresso em inícios da década de 60 na mitológica banda Yardbirds – eles mesmo, que fizeram rápida aparição em "Blow Up" de M. Antonioni, filme de final da década de 60 que tantas cabeças "desbundou" na época, e que, posteriormente ostentou os nomes de Jeff Beck e de Jimmy Page entre o rol de seus integrantes (parece até brincadeira essa, hein mano?)– esse inglês de Ripley tem ajudado a escrever uma das páginas mais gloriosas da história do Rock e do R&B mundial seja em carreira solo, ou em passagens – quase sempre curtas, mas fulgurantes – por diversos grupamentos lendários como o Cream, o Blind Faith, o Derek & The Dominos e o John Mayall & The Bluesbreakers, quando em plena Swingin’ London grupos de jovens, fanáticos por seu ídolo, pichavam os muros da cidade com os dizeres “ Clapton is God”!!!!
Com uma carreira marcada por diversas tragédias pessoais fartamente documentadas pela mídia – como o confinamento em hospício de um dos integrantes do Derek & The Dominos, que, após terrível surto psicótico, matou a própria mãe a marretadas, a morte de Conor, seu filho de 4 anos, causada pela queda de um apartamento, as mortes precoces de Duane Allman, Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan (seus parceiros musicais em algumas ocasiões)- e emocionais, como a sofrida paixão dele por Patty Boyd- Harrison, a quem dedicaria seu maior sucesso comercial, “Layla”, que incluiu inclusive anos de infernal convívio com álcool e drogas pesadas, esse genial guitarrista, bluesístico de índole e roqueiro por circunstâncias, parece ter chegado aos 66 anos limpo, convicto de seu lugar no Olimpo musical, e finalmente zen na vida afetiva, após um relacionamento estável que já perdura há mais de 10 anos e que lhe rendeu 3 filhas.
E foi nesse estado de espírito que, antecedido por uma apresentacão curta e adequada do guitarrista texano Gary Clark Jr., Clapton trouxe para sua turnê atual um “set list” enxuto e profissionalmente impecável, em que o prazer pessoal do grande astro com um manifesto pendor para o “blues”e para o virtuosismo, por vezes cedeu lugar à necessidade de ter que agradar a uma multidão de quase 45.000 pessoas que compareceram ao Morumbi, na noite pardacenta e úmida, não apenas para homenagear o extraordinário músico, mas também para recordar seus muitos hits memoráveis.
Após a abertura com “Key to the highway” e a maravilhosa “Tell the Truth” do ultra-cult “Layla & other assorted love songs”, seguiu-se o hino “Hoochie Coochie Man” do ídolo do blues, Muddy Waters e uma arrepiante versão de “Old love”, outro dos grandes sucessos dele, o “blues” reinou soberano no set acústico com “Driftin’ Blues” e a deslumbrante “Nobody knows when you’re down and out”, imortalizada pela diva do "blues" Bessie Smith, quando Eric deixou claro que a realeza do rock e do r&b estava presente ali e naquele momento e pôde confirmar pela enésima vez porque ainda é um dos mais geniais guitarristas que já pisaram neste plano.
Antes do set final, com “Cocaine” e “Crossroads”, esta já no bis, ainda deu para incluir uma versão absolutamente “matadora” de “Badge”, grande sucesso do Cream e eternizada pelo solo de guitarra do “buddy”, George Harrison, e a ondulante “Little Queen of Spades”. Apesar de ter incluído o baladão “Wonderful Tonight”, faz todo o sentido em se tratando de Eric Clapton, que “Layla”, talvez seu maior sucesso, tenha sido apresentada em andamento lentíssimo e diferenciado, que aboliu o super-identificado “riff” de guitarra inicial e o majestoso solo de piano final... well... deve ter gente até agora reclamando que o artista tenha se negado a apresentar “Layla”... risos, risos, risos....
Ah! Sim... ele NÃO incluiu “Tears in Heaven”, outro de seus hits claramente identificáveis!! Mas aí seria concessão demais, até mesmo para um deus! Porque SIM SIM SIM: “Clapton is God”








7 de outubro de 2011

Relembrando os 80 - Tears for Fears ao vivo





TEARS FOR FEARS







Após 15 anos de ausência, o Tears for Fears retorna ao Brasil e mostrou ontem no palco do Credicard Hall em S. Paulo porque é um dos ícones mais adorados da cultuada década de 80 !!!! Enfileirando espetacular sucessão de hits, eles deslumbraram e emocionaram a heterogênea assistência presente, na qual nostálgicos casais de meia-idade dividiam o espaço com jovens entusiastas que provavelmente nem eram nascidos quando o grupo dominava as paradas de sucesso da época; deixando cada vez mais notório que foram os mais inspirados discípulos dos Fab Four e apoiados por competente time de músicos, que incluiu um poderoso “backing vocal”, aliás uma característica do grupo (afinal, foram eles que lançaram Oleta Adams para o estrelato...quem não lembra da espetacular performance dela em “I believe”??), fizeram um show de pouco mais de 90 minutos, recheado de inesquecíveis hinos pop, que incluiu não só “Pale Shelter” e “Head Over Wheels” e o final apoteótico com “Woman in Chains” e “Shout”, mas também reedições de hits menos conhecidos como a ótima “Memories Fade” do primeiro disco deles e uma versão matadora de “Badman’s song” do verdadeiro apanhado de hits que é “Songs from the Big Chair” de 1985; sobrou espaço até para um cover malemolente de “Billie Jean’ do ídolo Michael Jackson... nostalgia emotiva em doses generosas!!!!!

Veja aqui o vídeo de “Woman in Chains” com o Tears for Fears

http://www.youtube.com/watch?v=8ObhYdVJtb4&feature=fvst


29 de setembro de 2011

St. Vincent - "Strange Mercy"














St. Vincent - "Strange Mercy"




Annie Erin Clark é uma garota de Tulsa (Oklahoma), que como tantas outras garotas despretensiosas do interior vivem hoje em Manhattan; mas jamais se diga que Annie E. Clark é uma garota despretensiosa, porque isso ela nunca foi !!! Ainda era adolescente, quando começou a tocar guitarra elétrica e agenciou shows para seu tio, nada menos que Tuck Andress do duo neo-jazzista Tuck & Patti; depois de se formar na prestigiadíssima Berklee College of Music, Annie fez parte do The Polyphonic Spree e juntou-se à banda de Surfjan Stevens em 2006; nesse mesmo ano debutou já sob o nome de St. Vincent (uma referência ao Hospital onde morreu o poeta Dylan Thomas em 1953) e lançou o álbum “Marry me” com boa receptividade de crítica. Mas foi com “Actor”, seu segundo trabalho de 2009,que ela mais atraiu a atenção da crítica especializada e também de público,pois esse trabalhou galgou as primeiras posições da Parada Independente da Billboard.

“Strange Mercy” lançado recentemente vem consolidar o estilo peculiar e insólito de Annie, tanto como compositora extremamente antenada e arrojada, quanto como vocalista – onde oscila entre o estranhamento experimentalista de uma Bjork ou de Kate Bush (com quem já foi comparada) e a doçura aveludada de Fiona Apple nas faixas mais convencionais – e também cmo multi-instrumentalista (além da guitarra, toca baixo, piano e órgão), sobretudo na utilização revolucionária da guitarra elétrica, quando parece querer redefinir as fronteiras do que seja um “guitar hero”!!! As 4 ou 5 músicas que abrem esse disco são realmente sensacionais e inovativas, com destaque para “Cruel”, o single de trabalho, “Surgeon” e a ótima, estranha e esganiçada “Chloe in the afternoon” , e o disco vai assumindo depois feições mais convencionais, o que não o impedem de se constituir como um dos destaques fonográficos deste ano!!!!

Links para este Artista

www.myspace.com/stvincent

http://www.ilovestvincent.com/

Veja aqui o vídeo de “Cruel” com St. Vincent

http://www.5min.com/Video/St-Vincent---Cruel-517149397


Outros Lançamentos de Destaque em Setembro 2011 (Other Hot New Releases September 2011)


Fink - "Perfect Darkness" Handsome Furs - "Sound Kapital" Laura Marling - "A creature i don't know" Little Scream - "The Golden Record" D.E.U.S. - "Keep you close" The Drums - "Portamento" Cass McCombs - "Wit's End" Blink 182 - "Neighborhoods" David Bazan - "Strange Negotiations" WhomadeWho - "Knee Deep"







Parada Musical Setembro 2011 (Top 10 September 2011)

01. "Cruel" - St. Vincent

02. "Money" - The Drums
03. "What about us" - Handsome Furs
04. " Ghosts" - D.E.U.S.
05. "Wolves at the door" - David Bazan
06. "The Heron & the fox" - Little Scream
07. " "There's an answer" - Whomadewho
08. "County line" - Cass McCombs
09. "After midnight" - Blink 182
10. " Foot in the door" - Fink

7 de setembro de 2011

Primavera, Verao, Outono, Inverno ... e Primavera!!!













Este belíssimo e delicado filme de 2003, dirigido pelo Sul-Coreano Kim-Ki Duk, é indubitavelmente um dos mais deslumbrantes filmes que você poderá assistir!

Tomando como analogia a sucessão infindável das 4 Estações, o filme narra o processo de formação e amadurecimento de um jovem aprendiz, sob o sábio olhar de um monge budista, no cotidiano solitário e imperturbável de um ermo monastério flutuante, plantado em um lago perdido na imensidão da Natureza!
À medida que as pulsões do jovem aprendiz se vão manifestando, por vezes cruéis, e quase sempre impetuosas e irrefletidas, o Mestre budista sempre atento e zeloso – mas nunca interferindo ou alterando – apenas vai pontuando para seu discípulo, que a cada escolha que o livre-arbítrio proporciona a todos os seres humanos, irá corresponder sempre uma conseqüência inexorável e muitas vezes dolorosa.
Ao optar por nos contar essa bela fábula, mais através de imagens do que propriamente pelos diálogos, o diretor enfoca o Nobre Caminho Óctuplo ( ou Caminho do Meio), tão caro à filosofia budista, no qual a busca da moderação e da Harmonia é um dos principais fins a serem atingidos; nesse sentido, a espetacular trilha sonora do também coreano Ji-Woong Park, sempre solene e contemplativa, orquestrada num estilo clássico, mas entremeada por instrumentos e cânticos budistas, como não poderia deixar de ser, é o complemento mais do que perfeito para as deslumbrantes imagens da Natureza e para os momentos de maior impacto e dramaticidade do filme, quando o desenrolar contínuo das Estações e seu poder de regeneração e transformação renova permanentemente o Milagre da Vida! Perene, apenas o Mosteiro se mantém - como que simbolizando a Morada do Espírito -, suspenso entre o Agora e o Sempre!!!
Apesar de ser um filme Budista até à medula, por transmitir emoções universais e ser repleto de ensinamentos também pregados por nossa amada Doutrina ( o que não é de espantar: afinal, muitos são os caminhos da Iluminação!...), este é um filme que deve ser visto através da Terceira Visão e “sentido” com a alma e o coração pulsando nas mãos!


Veja aqui o trailer deste belissimo filme


http://www.youtube.com/watch?v=gWg--2rm0ZE



27 de agosto de 2011

Man Man - "Life Fantastic"




















MAN MAN - " Life Fantastic"



Caso você se depare com uma música intitulada “Piranhas Club” , certamente vai jurar que é da autoria de algum irreverente e criativo intérprete tupiniquim, muito provavelmente cria e/ou herdeiro musical do estilo dos saudosos Mamonas Assassinas, e possivelmente estará com apenas 50% de razão do seu lado, pois tudo indica que a trupe de Dinho e dos irmãos Reoli, após uma necessária pausa para readaptação e calibragem no lado de lá, pulou dos escombros da Cantareira, naquele fatídico Março de 1996 - talvez ainda inconformados com o corte abrupto de tão curta e auspiciosa carreira - para ir cantar na língua de Walt Whitman e “sombrear” a partir de 2004, com o deboche e a inventividade que lhes era característico, um grupo intitulado Man Man, originário da - ora vejam só!!! - ... loira, metódica e puritana Filadélfia.
De fato, o espírito dos Mamonas parece estar presente não só nas letras e no experimentalismo das músicas deste “Life Fantastic”, o 4º. trabalho do Man Man – obviamente, fazendo a adaptação da cultura musical brasileira para a norte-americana: onde havia influências do forró , do sertanejo e do heavy brega, recicle-se para “vaudeville”, eletrônica e flertes consistentes com a “latinidad” e seus muitos ritmos “calientes”-, mas sobretudo no caráter anárquico e exuberante de suas apresentações ao vivo, apenas um “tantinho” mais comedidas do que as brasucas... afinal, estamos agora no coração do quase sempre fleumático hemisfério norte
Reunidos sob a liderança do vocalista e pianista Honus Honus, o grupamento adota pseudônimos tais como Pow Pow, Chang Wang e Turkey Moth para todos os integrantes e se utiliza de uma parafernália de instrumentos inusitados que vão do xilofone, do “euphonium”, do sousafone e das marimbas ao saxofone e ao Fender Jazz Bass e não dispensam a inclusão de panelas, potes, colheres , brinquedos barulhentos e outros objetos menos votados; do início esfuziante com “Knuckle Down” , passando pela já citada “Piranhas Club” e por outras contagiantes – e dançantes – e exóticas melodias, que têm seu grande destaque na alegria assoviável e no altíssimo astral da música-título, ao final com toques de Music Hall à La Harry Nilsson de “Oh, La brea” , o Man “mamonas” Man brinda-nos com quase 45 minutos de pura pulsação e relembra-nos a iconoclastia e o “joie de vivre” que um dia foi também o cartão de visitas de um certo grupo de Guarulhos de efêmero brilho!!!!!
Enjoy it!!!!!!!!

LINKS PARA ESTE GRUPO:








Veja aqui o video de “ Life Fantastic “ com o Man Man





Outros Lançamentos de Destaque Agosto 2011 (Other Hot New Release August 2011)




Metronomy : "The English Riviera" Richard Buckner : "Our Blood" Pete & The Pirates : "One Thousand Pictures" Givers : "In Light" Luke Temple "Don't act like you don't care" Cut Off Your Hands : "Hollow" Eleanor Friedberger : "Last Summer" Moonface : "Organ music, not vibraphone like i'd hoped" Jason Isbell & The 400 Units : "Here we rest" Lowline : "Monitors" Stephen Malkmus & The Jicks : "Mirror Traffic"








Parada Musical Agosto 2011 (Top 10 August 2011)

A Parada de Agosto está pulsante e muito alto-astral, encabeçada pelo remix árabe da Bjork, a ode à vida do Man Man, Metronomy e outros...

01. "life Fantastic"- Man Man
02. "Crystalline (Omar Souleyman Remix)"
03. "We broke free"- Metronomy
04. "Meantime" - Givers
05. "My Mistake" - Eleanor Friedberger
06. "More than muscle" - Luke Temple
07. "Collusion"- Richard Buckner
08. "Can't fish" - Pete & The Pirates
09. "An argument with myself" - Jens Lekman
10. "Nausea" - Cut Off Your Hands


Veja aqui o video de "Crystalline (Omar Souleyman Remix)" com Bjork :

http://www.youtube.com/watch?v=JfTH0oNBm5c


5 de agosto de 2011

2 Lançamentos Extraordinários





MICHAEL FRANKS : "Time Together















Apesar de estar na estrada desde 1973, com mais de 20 maravilhosos discos no currículo, o californiano Michael Franks, ainda não recebeu no Brasil a mais do que merecida exposição, o que é indubitavelmente uma das maiores injustiças musicais por nós cometidas com um artista de outras nacionalidades, pois além de ser um EXTRAORDINÁRIO músico e compositor, Michael é apaixonado pelo Brasil, país que visitou em várias ocasiões e a quem dedicou vários discos – aliás, surpreenda-se, Michael Franks compôs várias músicas que nada mais são do que .......bossa-nova !!!! e da melhor qualidade ....- e é (ou foi, dependendo do prisma de quem está lendo essas linhas) amigo pessoal e fã incondicional do nosso Tom Jobim, a quem dedicou várias músicas como “Abandoned Garden” e “Antonio’s song”.Seu último trabalho, lançado recentemente, “Time Together” pode figurar com toda a justiça na galeria dos grandes discos por ele lançados, junto a TODOS os maravilhosos discos dele da década de 70 (escolha o seu favorito....) “Passion Fruit”, “Blue Pacific”, etc... Um de meus músicos favoritos de todos os tempos, Michael é um artista de voz personalíssima, facilmente identificável por quem o escutar uma única vez e, à semelhança da nossa Betânia aqui no Brasil, um artista que NUNCA abre mão da qualidade, mantendo inalterável o estilo “smooth jazz” , do qual é um dos principais expoentes, ao longo de uma sólida e elegantíssima carreira. Quem sabe, com esse novo lançamento seja agora a ocasião de trazer Michael ao Brasil, para a consagração que lhe é mais do que devida: eu, certamente, tudo farei para estar nas primeiras filas, aplaudindo-o com a maior emoção!!!!

Veja o vídeo da novissima "Now that the summer`s here" com Michael Franks














AMERICA : "My back pages"




















Quem viveu a década de 70, jamais poderá esquecer canções como “Horse with no name”, “Ventura Highway”, “I need you “ e outras mais. que compõem a trilha sonora de toda uma geração; inicialmente conhecidos por serem uma versão mais diluída e comercial do Crosby, Stills & Nash e originalmente um trio, o America retorna agora com Gerry Beckley e Dewey Bunnell, da formação original e lançam um disco de “covers” intitulado “My back pages” , no qual homenageiam suas grandes influências, como Bob Dylan da faixa-título, Joni Mitchell, o genial Neil Young (representado por uma música dele com o Buffalo Springfield), James Taylor, Jimmy Webb e outros nomes lendários do rock; com a belissima harmonia vocal que os caracteriza,eles desfilam versões agradabilíssimas e respeitosas para hinos da geração passada, como “Woodstock”, “Caroline No” dos Beach Boys e a extraordinária “America” de Simon & Garfunkel, e até surpreendem relembrando a subestimada “Time of the season” dos Zombies e encaixam uma versão alto-astral para a recentíssima “A Road song” dos Fountain of Wayne, que não faz feio junto a tantas pérolas consagradas do rock/folk americano. Um disco imperdível para as gerações passadas e para as novas tomarem contato com algumas obras-primas feitas pela geração pioneira do rock.


Veja o vídeo de "A road song" com o America:










30 de julho de 2011

Parada Musical Julho 2011 (Top 10 July 2011)

01. "You were a dick" - Idaho
02. "A road song" - Fountains of Wayne
03. "Believer" - John Maus
04. "Senator" - Stephen Malkmus & The Jicks
05. "Best night" - The War on Drugs
06. "How deep is your love" - The Rapture
07. "Cottonopolis & promises" - Help Stamp Out Loneliness
08. "Rose red" - Sons & Daughters
09. "A candle's fire" - Beirut
10. "Walls" - An Horse

Idaho - "You were a dick"


















IDAHO - "You were a dick

Apesar do título sardônico, este é um disco elegante e “comportado”, de fácil e agradável audição para todos os tipos de públicos que apreciam boa música. Banda de L.A. na estrada desde 1992, o Idaho , que iniciou como um duo e depois incorporou outros integrantes, sempre foi fundamentalmente um veículo para o compositor, vocalista e guitarrista Jeff Martin, inúmeras vezes comparado ao fabuloso Mark Eitzel do American Music Club e ao também excelente Mark Kozelek ( Red House Painters e atualmente Sun Kil Moon), tanto pela temática das letras, quase sempre reflexivas e introspectivas, quanto pelo estilo musical, comumente enquadrado como “sad core” ou “slow core” . Uma das características básicas do Idaho é a sonoridade personalissima da guitarra acústica “four-string” de Jeff Martin, embora nos últimos trabalhos do Idaho tenha havido bastante destaque para musicas centradas nas notas de um piano.
E “You were a Dick”, esse oitavo álbum do Idaho, explora com mais profundidade e competência tais características e oferece-nos um trabalho recheado de lindas melodias e vêm consolidar Jeff Martin como um dos mais talentosos e inspirados compositores de sua geração, ora em composições extremamente introspectivas como a belíssima faixa-título,e as delicadas “Reminder”, “Flame”, “Someone to relate to” e “A million reasons”, com ecos pianísticos do grande Neil Young de “Soldiers”, ora nas mais cadenciadas e não menos belas “Up the Hill” e “The space between” e até na instrumental “Impaler” .
Indubitavelmente um disco para deleite de todos os nossos sentidos em várias audições e uma excelente oportunidade para o – digamos assim – grande público conhecer e apreciar mais um grande talento da indie music norte-americana.


Discografia Básica


Albums
• Year After Year (1993)
• This Way Out (1995)
• Three Sheets To The Wind (1996)
• Alas (1998)
• Hearts Of Palm (2000)
• Levitate (2001)
• The Lone Gunman (2005)
• You Were A Dick (2011)

Links para este artista

http://en.wikipedia.org/wiki/Idaho_(band)

www.idahomusic.com/

Vejam aqui o vídeo da delicada música “Reminder”” com o Idaho

http://www.youtube.com/watch?v=qPVsCB4bPKE






Outros Lançamentos Julho 2011 (Other Hot NewRelease July 2011)





John Maus "We must become the pitless censors of ourselves" Help Stamp Out Loneliness "Help stamp out loneliness" Sons & Daughters "Mirror "Mirror" Larsen "Cool cruel mouth" Patrick Wolf "Lupercalia" Fountains of Wayne " Sky full of holes" The War on Drugs "Slave Ambient" Tom Vek " Leizure seizure" Beirut "The rip tide" An Horse "Walls"


18 de julho de 2011

A Essência do Totalitarismo




“Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade). Educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da Essência do Totalitarismo.
O que move uma personalidade totalitária, segundo as crenças que encampa, é a certeza de que ela está fazendo o “bem para todos” , não a vontade de destruir grupos diferentes dos dela. Primeiro vem a certeza de si mesma como agente do “ bem total”, depois virará autoritário (a) em nome desse bem total.
O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um “ outro bem”, mas a dúvida acerca do que é o Bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.
Não confie em ninguém que queira criar um homem melhor!”

*** By Luiz Felipe Pondé, filósofo, pensador e psicanalista, em artigo para a Folha de S. Paulo em 18/07/2011








 
eXTReMe Tracker